{"id":804,"date":"2026-03-28T10:30:47","date_gmt":"2026-03-28T10:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ronaldocastilho.com.br\/?p=804"},"modified":"2026-03-28T10:30:47","modified_gmt":"2026-03-28T10:30:47","slug":"ratinho-junior-sai-de-cena-e-escancara-o-vazio-da-terceira-via","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ronaldocastilho.com.br\/?p=804","title":{"rendered":"Ratinho Junior sai de cena e escancara o vazio da \u201cterceira via\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A desist\u00eancia de Ratinho Junior (PSD) da pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2026 n\u00e3o deve ser lida como um gesto isolado ou meramente pessoal. Trata-se, na pr\u00e1tica, de mais um sintoma de um problema estrutural da pol\u00edtica brasileira: a incapacidade de consolida\u00e7\u00e3o de uma alternativa vi\u00e1vel fora da polariza\u00e7\u00e3o. Ao sair do p\u00e1reo, o governador do Paran\u00e1 n\u00e3o apenas recua de um projeto nacional, mas ajuda a desmontar, mais uma vez, a narrativa da chamada \u201cterceira via\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ratinho Junior reunia caracter\u00edsticas raras no cen\u00e1rio atual. Tinha alta aprova\u00e7\u00e3o em seu estado, baixa rejei\u00e7\u00e3o quando comparado a nomes como o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) e Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL), e uma imagem de gestor que poderia dialogar com setores distintos do&nbsp;eleitorado. Ainda assim, esses atributos n\u00e3o foram suficientes para sustent\u00e1-lo como um candidato competitivo em n\u00edvel nacional. Isso revela uma verdade inc\u00f4moda: no Brasil de hoje, n\u00e3o basta ser bem avaliado, \u00e9 preciso estar inserido em um dos polos da disputa. Fora disso, a candidatura tende a definhar antes mesmo de ganhar corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de permanecer no governo do Paran\u00e1, portanto, est\u00e1 longe de ser apenas um gesto de responsabilidade administrativa. \u00c9, sobretudo, uma escolha estrat\u00e9gica e defensiva. Ratinho Junior percebeu que sua candidatura n\u00e3o decolaria no ritmo necess\u00e1rio e que, ao insistir no projeto presidencial, correria o risco de perder o controle pol\u00edtico de seu pr\u00f3prio estado. E \u00e9 justamente no Paran\u00e1 que se encontra o ponto central dessa decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o de S\u00e9rgio Moro (PL) como poss\u00edvel candidato ao governo estadual muda completamente o tabuleiro pol\u00edtico local. Com forte apelo junto ao eleitorado de direita e respaldo de setores do bolsonarismo, Moro se apresenta como uma amea\u00e7a real ao grupo pol\u00edtico&nbsp;de Ratinho. Ao deixar o governo para disputar a Presid\u00eancia, o atual governador abriria espa\u00e7o para fragmenta\u00e7\u00e3o de sua base e facilitaria o crescimento de um advers\u00e1rio competitivo. Permanecer no cargo, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma escolha, mas uma necessidade para quem pretende manter influ\u00eancia e projetar continuidade de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa movimenta\u00e7\u00e3o, no entanto, carrega um significado mais profundo. Ratinho Junior optou por preservar seu capital pol\u00edtico regional em vez de arriscar uma constru\u00e7\u00e3o nacional. \u00c9 uma decis\u00e3o compreens\u00edvel do ponto de vista pragm\u00e1tico, mas limitada sob a \u00f3tica de lideran\u00e7a. Em vez de se colocar como alternativa \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o, preferiu recuar diante dela. Em vez de tensionar o sistema pol\u00edtico, adaptou-se \u00e0s suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto disso vai al\u00e9m do Paran\u00e1. A sa\u00edda de um nome competitivo, ainda que n\u00e3o l\u00edder nas pesquisas, enfraquece ainda mais o campo que tenta se apresentar como op\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria. O PSD, partido de Ratinho, perde um de seus ativos mais promissores e se v\u00ea obrigado a reorganizar suas apostas, possivelmente em torno de figuras como Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, que tamb\u00e9m enfrentam dificuldades para romper a barreira da polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio nacional, o recado \u00e9 claro. A elei\u00e7\u00e3o de 2026 caminha, mais uma vez, para ser dominada pelos mesmos polos que v\u00eam marcando a pol\u00edtica brasileira nos \u00faltimos anos. A aus\u00eancia de uma alternativa consistente n\u00e3o \u00e9 fruto da falta de nomes, mas da falta de viabilidade pol\u00edtica e, em certa medida, de disposi\u00e7\u00e3o para enfrentar o risco. A terceira via continua sendo mais uma aspira\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica do que um projeto concreto de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>No Paran\u00e1, por sua vez, a disputa tende a ganhar contornos mais diretos e menos ideol\u00f3gicos. A perman\u00eancia de Ratinho Junior indica que a elei\u00e7\u00e3o estadual ser\u00e1 tratada como prioridade absoluta. O confronto com um eventual candidato como S\u00e9rgio Moro tende a transformar o pleito em uma batalha pelo controle pol\u00edtico do estado, com menos espa\u00e7o para debate program\u00e1tico e mais foco na ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas, a desist\u00eancia de Ratinho Junior revela mais sobre o momento da pol\u00edtica brasileira do que sobre o pr\u00f3prio governador. Ela escancara um sistema que desestimula movimentos ousados e recompensa decis\u00f5es defensivas. Mostra que, diante da polariza\u00e7\u00e3o consolidada, at\u00e9 mesmo nomes com potencial preferem recuar a enfrentar uma disputa incerta. E, acima de tudo, refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que o Brasil segue preso a uma din\u00e2mica eleitoral previs\u00edvel, onde a novidade n\u00e3o encontra espa\u00e7o para se transformar em alternativa real.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desist\u00eancia de Ratinho Junior (PSD) da pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2026 n\u00e3o deve ser lida como um gesto isolado ou meramente pessoal. 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