A mais recente pesquisa nacional Genial/Quaest aponta mudanças importantes no comportamento político do eleitorado brasileiro. O levantamento mostra que o antipetismo continua em trajetória de queda, enquanto o antibolsonarismo voltou a crescer, indicando que a rejeição aos dois principais polos da política nacional permanece elevada, mas com intensidades diferentes. Os dados sugerem um cenário de maior equilíbrio entre as duas forças políticas às vésperas da intensificação da campanha das Eleições 2026.
A pesquisa foi registrada sob o número BR-07181/2026. O estudo foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho de 2026, por meio de entrevistas presenciais domiciliares (face a face), com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, distribuídos em 120 municípios do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
Os números mostram que 36% dos entrevistados se declararam antipetistas, enquanto 59% afirmaram não possuir sentimento antipetista. Outros 5% não souberam ou preferiram não responder. Em comparação com os levantamentos anteriores realizados pela Genial/Quaest, observa-se uma redução consistente do antipetismo, que era de 39% em fevereiro e chegou a atingir 42% em março antes de iniciar uma trajetória de queda até os atuais 36%. Paralelamente, o grupo dos que não demonstram rejeição ao PT cresceu de 58% para 59%.
O comportamento regional apresenta diferenças marcantes. O Nordeste permanece como a região menos antipetista do país, com ampla maioria declarando não ter rejeição ao Partido dos Trabalhadores. No Sudeste, onde tradicionalmente existe maior resistência ao partido, o cenário tornou-se mais equilibrado entre antipetistas e não antipetistas. Já no Sul, os índices continuam próximos do empate, enquanto no Centro-Oeste e Norte o antipetismo apresentou queda significativa ao longo das últimas pesquisas.
A análise por sexo mostra que as mulheres são menos antipetistas do que os homens. Entre o eleitorado feminino, 63% afirmam não possuir rejeição ao PT, contra 32% que se declaram antipetistas. Entre os homens, embora a diferença seja menor, também prevalecem aqueles que não demonstram antipetismo, com 54%, enquanto 41% afirmam rejeitar o partido.
A renda familiar também influencia o comportamento político. Entre os brasileiros com renda de até dois salários mínimos, o antipetismo permanece relativamente baixo. Já entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, os índices de rejeição ao PT continuam mais elevados, embora tenham diminuído em relação às pesquisas anteriores.
Quando o recorte considera o posicionamento ideológico, os resultados confirmam a forte identidade política existente no país. Entre os eleitores que se declaram lulistas, praticamente não existe antipetismo. Entre os bolsonaristas ocorre o movimento inverso, com ampla maioria afirmando rejeitar o PT. O grupo dos independentes, entretanto, apresenta distribuição mais equilibrada, indicando menor polarização nesse segmento do eleitorado.
Se o antipetismo apresentou redução, o antibolsonarismo caminhou na direção oposta. Segundo a pesquisa, 44% dos brasileiros afirmam hoje possuir sentimento antibolsonarista, enquanto 51% dizem não ser antibolsonaristas. Outros 5% não responderam. O levantamento mostra que o índice de rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu três pontos percentuais em relação à rodada anterior, passando de 41% para 44%, enquanto a parcela dos que não manifestam rejeição caiu de 56% para 51%.
Regionalmente, o Nordeste continua sendo a região onde o antibolsonarismo aparece com maior intensidade. No Sul ocorre o movimento contrário, concentrando os menores índices de rejeição ao ex-presidente. No Sudeste e nas regiões Norte e Centro-Oeste, os números permanecem intermediários, mas demonstram crescimento gradual da rejeição a Bolsonaro em comparação com levantamentos anteriores.
Entre homens e mulheres, a diferença é pequena. O antibolsonarismo é ligeiramente maior entre o eleitorado feminino, enquanto entre os homens os percentuais permanecem praticamente estáveis. A análise por renda revela que a rejeição ao ex-presidente tende a diminuir conforme aumenta a renda familiar, embora em todas as faixas exista parcela significativa da população que afirma não ser antibolsonarista.
Assim como ocorre no antipetismo, o posicionamento ideológico praticamente determina o sentimento político. Entre os lulistas, o antibolsonarismo é amplamente majoritário. Entre os bolsonaristas, praticamente inexiste rejeição ao ex-presidente. Os independentes aparecem novamente como o grupo mais dividido, refletindo um eleitorado menos identificado com os dois principais polos políticos do país.
Outro dado relevante da pesquisa diz respeito à autodefinição ideológica dos brasileiros. O maior grupo continua sendo o dos independentes, que representam 33% do eleitorado. Em seguida aparecem os eleitores de direita não bolsonaristas (21%), os lulistas (19%), a esquerda não lulista (13%) e os bolsonaristas (12%). Apenas 2% não souberam responder. Esse retrato demonstra que a maior parcela dos brasileiros não se identifica diretamente com os dois principais líderes da polarização política nacional.
O perfil da amostra também ajuda a compreender a representatividade do levantamento. Dos entrevistados, 53% são mulheres e 47% homens. A maior parte possui entre 35 e 59 anos, representa predominantemente o Sudeste, tem renda familiar entre dois e cinco salários mínimos e é composta majoritariamente por pessoas que se declaram pardas ou brancas. Os católicos representam 49% da amostra, os evangélicos 28%, enquanto 20% dos entrevistados afirmaram ser beneficiários do Bolsa Família.
Os resultados indicam que, embora a polarização continue sendo uma característica marcante da política brasileira, o cenário vem passando por mudanças graduais. O antipetismo perdeu intensidade ao longo dos últimos meses, enquanto o antibolsonarismo voltou a crescer, reduzindo a distância entre os dois indicadores. Ao mesmo tempo, o elevado percentual de eleitores independentes reforça que existe um espaço significativo para candidatos capazes de dialogar além dos núcleos tradicionais de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, fator que pode exercer influência decisiva na disputa eleitoral de 2026.
